GUERRA DE SANÇÕES ENTRE EUROPA E RÚSSIA AMEAÇA RETOMA NA ZONA EURO

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), avisou hoje que os riscos geopolíticos para a retoma da zona euro se intensificaram.

"Os riscos geopolíticos aumentaram face há uns meses", reconheceu hoje Mario Draghi, presidente do BCE, durante a conferência de imprensa depois da reunião mensal sobre a política de juros da zona euro.

Draghi explicou que "é difícil avaliar o impacto que o clima de sanções e contra-sanções" entre a Europa e a Rússia cria na economia. Directamente, o presidente do BCE diz que "há menos de uma mão cheia de instituições financeiras muito expostas à Rússia", mas lembrou que há outro tipo de sanções, como por exemplo a proibição de sobrevoar determinadas partes do espaço aéreo russo, que também têm consequências na economia.

Sobre a decisão de manter a taxa de juros directora inalterada nos 0,15% - um mínimo histórico - Draghi repetiu que a política monetária se vai manter acomodatícia por um longo período.

O presidente do BCE também explicou que se manteve nesta reunião de juros a unanimidade em relação à decisão de só avançar com medidas não convencionais, como um programa de quantitative easing alargado, quando as expectativas de médio prazo para a inflação forem mais baixas.

Por enquanto, embora a taxa de inflação esteja num nível reduzido (0,4% em Julho), as expectativas de médio prazo "estão bem ancoradas" em torno do objectivo do BCE - um valor abaixo, mas próximo dos 2%.

Draghi repetiu a explicação já avançada na conferência de imprensa do mês passado sobre o número actual da inflação: "justifica-se sobretudo pelos preços da energia e da alimentação". Excluindo estas categorias de produtos, a inflação registada teria sido de 0,8%, lembrou o presidente do BCE.

Fonte: Económico